Evento em São Paulo debate a importância da gestão dos Stakeholders
Reportagem: Daniel Marigliano
Texto e Edição: Bruno Bazzoli, PMP
Neil Berman define no seu artigo Understanding Project Stakeholder Behavior: The ADTraD Model and the Change Wave (disponível na biblioteca virtual do PMI para membros) quatro tipos de partes interessadas (ou stakeholders) encontrados em qualquer projeto: ativadores, dissidentes, viajantes e condutores. Os ativadores são os patrocinadores do projeto, aqueles que estão mais envolvidos com a iniciativa que deu origem à mudança; os dissidentes são aqueles que por alguma razão se opõem ao projeto; os viajantes são os participantes mais operacionais, que não tem grande poder de decisão; os condutores contribuem com o gerente de projeto e com os ativadores na condução do projeto.
Independentemente da forma como você lida com os stakeholders do seu projeto, é preciso saber como administrar o interesse deles. Para discutir com mais profundidade esse tema, em outubro foi realizado em São Paulo o evento Stakeholder Management Meeting 2011, organizado pela empresa de consultoria em projetos Projectlab. Conversamos com Roberto Pons, PMP, Msc., fundador e diretor da Projectlab sobre os resultados obtidos com essa iniciativa.
PMI São Paulo: Quais os objetivos do evento?
Roberto Pons, PMP, Msc.: Foram dois os principais objetivos. Primeiro queríamos conscientizar o público da importância do tema Gerenciamento de Stakeholders e, ao mesmo tempo, evidenciar sua complexidade e a dificuldade em desenvolver pessoas nessas competências gerenciais (ou soft skills). Nossa intenção também foi lançar oficialmente no Brasil a parceria com a [empresa] inglesa Prendo Simulations e apresentar ao público a simulação como uma ferramenta poderosa de treinamento corporativo para competências gerenciais. Nesses dois aspectos, creio que alcançamos os objetivos. Nas duas turmas que fizemos, no Rio e em São Paulo, os participantes se engajaram plenamente na proposta e deram um rico testemunho da eficácia do método e da experiência.
PMI São Paulo: Porque é importante discutir o tema "Gerenciamento de Stakeholders"?
Roberto Pons, PMP, Msc.: Gerenciar projetos, ao contrário do que se pensa, não é uma atividade técnica. É claro que o gerente de projetos tem que conhecer técnicas de gerenciamento de escopo, tempo, custos etc. que são abordadas em todas referências profissionais da área. O que se consegue com essas competências é um bom técnico de gerenciamento de projetos. Mas falta uma dimensão que eleva o técnico a de fato se tornar um gerente de projetos capaz de gerenciar ambientes mais complexos e incertos. Projetos representam ideias, expectativas, e mudança de cenário. Isso é tudo muito complexo, ainda mais quando há pessoas envolvidas que pensam e desejam coisas diferentes. A maior habilidade que um gerente de projetos precisa ter hoje em dia é saber lidar com os stakeholders em seus projetos. Mas não é um tema fácil de capacitar as pessoas. Não é baseado em fórmulas, modelos, metodologias, e sim em experiência, sensibilidade, comunicação, trabalho colaborativo e negociação. Não se aprende isso só com livros e palestras; é necessário vivenciar. Daí o valor de uma simulação que mapeia os principais elementos encontrados em projetos complexos, do ponto de vista humano, e oferece uma oportunidade de prover essa experiência.
PMI São Paulo: Qual a contribuição das ferramentas de simulação para o gerenciamento de projetos?
Roberto Pons, PMP, Msc.: A Prendo, através do seu diretor, Guy Giffin, veio ao Brasil a nosso convite para lançar oficialmente esse recurso para treinamentos profissionais. O Guy facliitou, ao meu lado, as sessões, e treinou nossos instrutores para facilitar as próximas. A próxima etapa é traduzir a interface para o português e disponibilizar no mercado aberto, tanto para aplicação como curso independente de temas avançados, com duração de oito horas, como ser inserido em programas de pós-graduação em que o tema seja abordado. Também é de grande utilidade em ambientes corporativos, onde se pode avançar com mais liberdade nas questões particulares das empresas.

