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MAIO 2009

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TERCEIRO SETOR

Processo de profissionalização da Gestão de Projetos no Terceiro Setor

Autora: Juliana Paupitz
Colaboração em co-autoria: Fabiano Sannino

Caminho histórico

A emergência do terceiro setor no Brasil é um fenômeno das últimas três décadas e vem comprovar a natureza solidária das relações interpessoais em resposta à crescente demanda por ações de melhoria da vida comunitária, defesa de direitos e luta pela consolidação da democracia. Este fenômeno teve como catalisador, o fortalecimento da sociedade civil nos anos 70, que se tornou o período de despertar do terceiro setor brasileiro, principalmente para fazer oposição ao estado autoritário.

Nos anos 90, a oposição começou a mudar de forma. A estratégia passou a ser a parceria entre os três setores da sociedade. Esta nova iniciativa de relacionamento trouxe reconhecimento do estado em relação às ONGs, realocando-as em um novo patamar de importância, ou seja, o estado começou a reconhecê-las como interlocutoras e parceiras das políticas governamentais.

O mercado começa a reconhecer as organizações sem fins lucrativos como canais de concretização dos investimentos do setor privado empresarial na área social, ambiental e cultural. Estas iniciativas de investimentos vieram com o objetivo de atender as exigências do próprio mercado em relação à responsabilidade social empresarial.

Globalização

Na última década, os problemas ambientais, de saúde pública, narcotráfico, econômicos e de explosão populacional, passaram a ser percebidos como questões de responsabilidade global, se manifestando além das fronteiras que excedem os recursos de que dispõem os estados nacionais.

Neste cenário, as organizações de cidadãos passam a ser reconhecidas como decisivos instrumentos geradores de evolução positiva, caracterizando uma esfera pública internacional com grande influência política e econômica.

Gestão

Nos últimos seis anos o terceiro setor cresceu 157%. Este foi o segmento econômico mais ativo no período de 1996 a 2002. Hoje existem 276 mil organizações da sociedade civil em funcionamento no Brasil. Elas empregam 1,5 milhão de pessoas, segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (Gife) e pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong).

Estes números, que continuam crescendo e envolvendo um número de organizações cada vez maior, tem como maior desafio obter a eficiência do gerenciamento, pois a cultura deste, no Brasil, é forte em voluntarismo e imatura no aspecto profissional.

O que se presencia constantemente é um acúmulo de esforço bem intencionado produzindo poucos resultados efetivos e muita frustração. Cresce a expectativa em relação ao terceiro setor, multiplicam-se as oportunidades, mas a resposta não corresponde. A despeito da expansão do setor, grande parte das entidades sofre uma grave crise de recursos e muitas sucumbem em breves tempos de vida.

Visão empresarial

As instituições que estão apresentando os melhores resultados têm em comum um fator chave, visão estratégica empresarial. Pensam suas ações como produtos e seus beneficiários como clientes.

Esta tendência é facilmente percebida, pois os órgãos financiadores governamentais lidam com números próprios às escalas das políticas públicas e seus beneficiários cobram das organizações como se estas fossem empresas prestadoras de serviços.

As agências de cooperação internacional passaram a exigir clareza na gestão dos projetos e responder a estes desafios implica em manter uma boa contabilidade, definir claramente sua missão, estabelecer metas realistas, propor as melhores ferramentas e planejar os custos criteriosamente.

Para atender a estes patamares cada vez mais elevados de coesão e profissionalização, as técnicas, práticas, conceitos, ferramentas e as soft skills do profissional de gerenciamento de projetos devem ser constantemente e rapidamente desenvolvidas para responderem ao ritmo acelerado das exigências globais de evolução em gestão.

Desta forma, com este novo espaço da E-News, traremos à discussão estas melhores práticas e contamos com a participação do leitor para compartilhar suas experiências de sucesso em gerenciamento de projeto no terceiro setor.

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