Muito trabalho e muitos desafios permeiam a carreira feminina
Autora: Juliana Coutinho Oliveira
Desde 1960 o mundo vem passando por mudanças. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, além de mãe e esposa, ela precisa correr atrás de sua carreira. Segundo o IBGE, em 2006, 44% da força de trabalho é formada por mulheres. E a expectativa é que esse percentual aumente nos próximos anos. Apesar disso, ela ainda enfrenta grandes desafios e sua vida profissional se torna mais complexa e competitiva que a dos homens.
O modelo masculino de carreira ainda demonstra ser o mais interessante para as organizações, pois está baseado na disponibilidade de tempo e dedicação exclusiva. Isto não ocorre com a feminina, que além de ser mais complexa, está permeada por várias influências.
Além dos deveres profissionais, a mulher precisa dividir seu tempo para atender diversas funções, em casa e no trabalho. Muitas deixam de ser admitidas ou promovidas por causa da gestação e pela necessidade de cuidar dos filhos. Além disso, há uma sobrecarga pela dupla jornada de trabalho, múltiplos afazeres e responsabilidades.
Ser mãe e profissional muitas vezes gera um sentimento de culpa. Pressões sociais, organizacionais e pessoais recaem sobre a mulher que trabalha e que deseja dedicar-se à carreira. Elas se sentem culpadas por não estarem com seus filhos em tempo integral.
“A mulher, mesmo a executiva, dificilmente consegue desvincular-se do papel de mãe que lhe é transmitido, o que acaba influenciando sua trajetória ascensional. Durante muito tempo o homem tem abdicado da vida familiar em prol de sua carreira, ou pelo menos deixado o cuidado da casa e dos filhos por conta da sua esposa, a qual ou abdica de sua carreira ou renega-a a um segundo plano” diz Louise Botelho em seu estudo de doutorado.
Apesar do crescimento da participação feminina no mercado de trabalho, poucas chegam às posições-chave nas organizações, ou seja, posições de elevado poder e status. “Ainda existe um filtro real nas instituições para acesso das mulheres aos escalões mais altos. Isso varia de país para país, de empresa para empresa, mas de modo geral as mulheres enfrentam resistência a alguns postos, o que é possível identificar claramente nos processos, nos números e também na atitude das pessoas, inclusive das próprias mulheres”, diz Margareth Carneiro.
Um estudo realizado por Eron Andrade apontou que, na área de gerenciamento de projetos, apenas 20% dos gerentes são mulheres. “Ouço os gerentes falarem que gostam de trabalhar com mulheres. Mulher, em geral, é dedicada, esforçada e faz bem o trabalho - eles dizem. Mas basta dar uma olhada nas revistas que fica claro que nos altos escalões, mulher praticamente não entra, o percentual é muito baixo”, afirma Margareth.
“A grande questão a ser equacionada para aumentar o número de mulheres no mercado e nos altos cargos de direção, remonta à estruturação dos grupos familiares onde a questão do lar requer um relacionamento equânime entre as funções domésticas. O esposo deve participar mais das atividades - que a minha geração reputava como exclusivamente feminina”, diz Márcio Barbosa. “As mulheres são dotadas do excelso atributo de trazer ao mundo outros seres humanos. Por isso, devem ser respeitadas como instrumento divino da criação. Toda a sociedade deve protegê-las durante o período gestacional e pós-natal, dando a oportunidade de estarem com seus filhos e prepararem os homens de amanhã”.
Fontes:
- Depoimento de profissionais, Yahoo Grupos, PMI-SP
- Eron Andrade, Dissertação de Mestrado. Conversas: A chave para um efetivo gerenciamento de projeto, Universidade Católica de Brasília, 2009.
- Louise de Lira Roedel, Dissertação de Doutorado. Ascensão profissional feminina: Um caminho bem mais tortuoso do que se imagina, Universidade Federal de Santa Catarina, 2007.
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